16
Dez
09

toada para Belém

Dança, balança os corpos,

range no couro do tambor os dentes da ira.

do couro do tambor faz soar elegantes harmônias.

bate no couro, retumba!

acode Belém, acorda Belém sem rumo.

Do couro do tambor essa dor.

foto Abdias Pinheiro

Boi Pavulagem – Belém – 2008

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16
Dez
09

ao meio dia em ponto

continuação…

Uns tamboretes de três pernas com assentos quadrado, agasalham o cansaço de ancas sem termos. Umas três mesas de três pernas acomodam os semblantes sisudos e sérios que sombreiam os senhores da Irmandade da Divina vigilância Celestial. O preto cobre os vigilantes. Chapéus pretos de abas largas e capêlos cônicos escapando ao necessário, camisas de compridas mangas por baixo de grandes capas escuras cobrindo todo o corpo, só deixando de fora as biqueiras trabalhadas, douradas e finas das grossas e reluzentes botas. A cada mesa três senhores, a cada senhor um cálice grande, de grosso e pesado metal, trabalhado com inscrições antigas, figuras míticas, ícones diversos e, dentro bebida azul turquesa, tragada em coreografia lenta e ritmada: Todos a um só tempo.

         Os olhos cobertos por grossos e largos óculos não permitem ver as cores  só pensamentos.          Um brinde ecoa largas e profundas badaladas sacrílegas. São sete levantar de copos. A sesta acorda em movimentos leves, seguros e ritmados. Ferrolhos chiam sabedoria, tramelas desobstruem janelas à vida. Sonolentamente olhos abrem-se às badaladas. Todos voltam à rotina. Essa se prestando a um lugar como aquele! Uma janela fala  ao mundo através de óticas fibras.

continua…

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15
Dez
09

avéia na rabeta de luxo

Para Kadja

Estas alinhavando tua bainha, moldando ao corpo tuas vestes. Paciência e vai…

Faz do mar tua casa.

Rio Curuça  – Curuça, Pa -2007

foto Abdias Pinheiro

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15
Dez
09

ao meio dia em ponto. avéia cachimbando.

Ao meio dia em ponto!                                                  

         Ao meio dia em ponto o sol sombreia os rastros. A vila dorme em sesta modorrenta. O calor finge cumplicidade. Portas, janelas, alpendres cochilam à silenciosa algazarra das crianças da rua de baixo. Uns bochudos albergando solitárias presenteadas pelo descaso.

         Senhores caminham ladeira a cima. Passos obesos em direção a venda. Privilegiada vista. Entre sete portas estreitas e compridas, apartadas em folhas e entre as folhas fardos de charque, café,  arroz, sacos de açúcar, feijão, milho, barris de legumes em conserva separam a entrada principal, ordenando o espaço. A porta central, majestosa, largura de quatro folhas estende-se ao peitoral, amparando a imagem, debruçada sobre a eira e a beira, da deusa dos bons negócios comerciais. Com o olhar frio e indiferente zela a entrada e saída, hora abençoando, maldizendo em minutos. Não há como escapar. A tudo vê, ouve, sabe, desconversa quando convem, mas firme, altiva sempre está. Impávida. Sol, chuva, raio, calor, mormaço, tempestades? Nada, nem o limo fazendo pintura do tempo a incomoda.

continua…

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15
Dez
09

avéia descadeirada

Tem de tudo na feira.

bauxita com café,

ferro no açaí,

divisão de banca,

bandeira defumada.

tem de tudo nessa feira.

paulista não quer mais o leite,

quer café com bauxita.

Furo do Maguari – Icoaraci – Belém 2007

foto Abdias Pinheiro

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08
Dez
09

a sem-vergonhice elimina Belém!

Tira, bota, cassa, des caça,  desgraça sem graça,  é liminar, eliminar já.

Ô terrinha pra ter corredores obscuros e grandes, becos, ruelas, buracos de ratazanas empastelando-se no lixo. Canal  da doca do ver-o-peso sem sinal. Antenas diabólicas, pinicos cibernéticos atraindo moscas, catitas, baratas, passarinho agourando na torre do palácio dos capas-preta. Ô Belém, bem faz quem te quer bem, mau quem só quer se servir de ti! Mandem o dito pros quintos dos infernos e que nunca mais volte.

Por do sol  baia do Guajará verão de 2005

foto Abdias Pinheiro

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05
Dez
09

Ela chegou lavando avéia!

Aportou  lá pras bandas do Guama. Vento curvando samaumeiras, virolas, castanheiras, taperebazeiros. Viam-se as touceiras de açaí sendo penteadas com galhardia. Uivos sibilavam entre a galharia assombrada. Pássaros em bandos, em pareia, solitários fugiam de tal  presságio. Entre os encantados da floresta muitos tomaram providências. Ela desabou com classe, desfilando nas passarelas sujas, entupidas da estupidez humana. Com rancor mordaz, se mordendo toda arrastou a indiferença para o beiradão. A cidade mergulhou na podridão, no monturo, viu escorrer em suas véias o chorume fétido. Ela fez cara feia, cuspio de lado e praguejou com o Bispo ausente, o prefeito inconsequente e o delegado inocente.

Olha o padeiro entregando o pão

foto Abdias Pinheiro

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01
Dez
09

avéia ta bebendo mingau pela beira.

Bota sentido na terra!

Bota sentido no sol.

Bota sentido na vida que o planeta não vai esbarrar só porque tu queres…

foto manipulada – Abdias Pinheiro

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25
Nov
09

avéia não tomou café com a Gov.

Protusao discal

postero-central direita.

disco invertebral

L 5 – S1

compressão moderada sobre a face anterior da cauda equina e raiz raquideana

vertebra com morfologia normal

partes mole perivertebrais normal

valores de configuração anatômica e simétrica

atenuação normal

escolise esquerda rotatória

arteriosclerose na ilíaca comum direita

conclusão

hérnia discal foraminal entre L5-S1 direita.

foto Abdias Pinheiro

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20
Nov
09

avéia foi ver-o-peso!

Cega, surda, muda, vingativa com faca na mão. Venda nos olhos de quem passa os  olhos pela praça dos poderes. Tá lá! Balança em uma mão, espada na outra, um mulambo fingimento de venda tampa o que não é pra se ver. Leis, ‘omis’ de capas pretas escurecendo o amanhã. Olhos vendados, vedados, vendidos ao acaso. Sorteio de destinos nas mãos ocupadas da senhora lei. Hum… Baila impunidade, traça os passos de uma valsa vienense em salão mofado. Dança os lenços rendados escamoteados em punhos de veludo ensebados, fedendo como suor nas partes! Dança uma valsa vienense!

foto Abdias Pinheiro

(c) Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial sem autorização do autor.